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Professor da Universidade de Lisboa fala sobre conflitos de interesse como obstáculo aos Tribunais de Contas

​A primeira conferência apresentada nesta terça-feira, 7, segundo dia do II Congresso Internacional de Contas Públicas, foi ministrada pelo professor Raimundo Nonato Chaves Neto, do Centro de Investigação de Teoria e História do Direito da Universidade de Lisboa. A mesa foi presidida pelo conselheiro substituto Antônio de Souza, do TCE/RN, e teve como convidado Aécio Prado Dantas Júnior, vice-presidente de desenvolvimento operacional do Conselho Federal de Contabilidade (CFC).

O professor Raimundo Nonato falou sobre a Nova Contabilidade Pública, com acréscimos sobre a responsabilidade dos Tribunais de Contas nas novas questões econômicas e políticas do Brasil. A sua apresentação teve início com um pequeno apanhado histórico sobre a origem do controle de contas, há 3 mil anos, partindo da Mesopotâmia, Egito, seguindo por Grécia e Roma, até os dias atuais.
Em seguida, ele definiu três questões norteadoras como base da sua apresentação, “Quanto às funções do poder no Brasil, há conflito de interesses?”; “Quais as origens da corrupção no Brasil?”; e “Quais as soluções possíveis passando pelos Tribunais de Contas?”. Para nenhuma delas foi dada uma resposta definitiva, pois de acordo com Raimundo, esta deve ser uma construção coletiva.

O professor salientou ainda que “os conflitos de interesses existentes podem ser um obstáculo ao cumprimento dos princípios basilares dos TCs, que são independência, transparência, ética e controle de qualidade. Portanto, deve-se evitar, de acordo com Normas Brasileiras de Auditoria [do Setor Público, NBASP], proximidade e contato com órgãos e pessoas responsáveis por recursos públicos”.

A respeito da questão relacionada às origens da corrupção, foi _MG_8708.JPGrecomendado que se pensasse no futuro. “Até quando viveremos de culpar Portugal?”, indagou. De acordo com ele, diversos países sofreram com a colonização, com invasões, deram um salto de desenvolvimento, e esta deveria ser a meta do Brasil, “livrar-se das heranças portuguesas prejudiciais e rumar para o crescimento do país, sem se prender a tantas justificativas e pouca ação”.

A principal contribuição dos Tribunais de Contas nessa jornada de crescimento e desenvolvimento foi demonstrada pelo professor Nonato: liderar pelo bom exemplo para inspirar confiança; garantir bom uso de recursos públicos; fazer a diferença na vida dos cidadãos, com transparência e boa comunicação; capacitar seus servidores; formar bons gestores; superar a imagem de “cão de caça” e se comportar como um guia; incentivar o controle social e fiscalizar o período pré-eleitoral. 

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