A última edição do ciclo de palestras “Por um Brasil Ético” aconteceu nesta sexta-feira, 1º, com a explanação do economista Otaviano Canuto, diretor executivo do Banco Mundial para o Brasil. Canuto falou no auditório do Tribunal de Contas do Estado de Sergipe (TCE/SE) sobre o “Impacto da corrupção na economia brasileira”.
Para ele, ainda não dá pra se concluir de forma precisa qual o

impacto no setor público das investigações em curso, no entanto, “levando em conta apenas o que ocorreu até aqui, já foi o suficiente para, no mínimo, a impunidade não ser algo tão fácil como já foi no passado. A demanda pela corrupção vai ser menor também por conta da relação custo-benefício”.
O economista mostrou-se otimista quanto às consequências das investigações e prisões por corrupção feitas no Brasil, em especial pela Operação Lava Jato. Para Canuto, esse foi só o começo e, mesmo com os efeitos negativos a curto prazo, como a queda do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro em 10% de 2014 até o final de 2016, a médio e longo prazo haverá transformações positivas.
“As descobertas levaram a uma paralisia financeira de demanda e

operacional de empresas importantes no tecido produtivo; empresas de construção que correspondiam em torno de 12% do PIB brasileiro. Porém, digo aos meus amigos de outros países: queiram que isto seja feito no seu país também. São vários ganhos de médio e longo prazo desse mesmo processo que levou ao impacto negativo em curto prazo que compensam nesse ponto de vista econômico tudo o que se passou”, afirmou.
Canuto explicou que a corrupção em grande escala faz com que os projetos grandes deixem de ser escolhidos de acordo com critérios de maximização dos resultados pretendidos e passam a ser escolhidos de acordo com a sua capacidade de gerar oportunidades de corrupção. No setor privado, quando há corrupção, a concorrência dentro de todos os setores privados que ofertam bens e serviços para o setor publico fica prejudicada, ela deixa de resultar em eficiência.
Foram ressaltados pontos de mudança que já estão acontecendo,

de acordo com o convidado. “Do lado do setor privado, o custo-benefício da corrupção, levando em conta os riscos, mudou. A probabilidade de captura é maior e isso está se refletindo no fato que, do ponto de vista empresarial, pensa-se duas vezes antes de se construir essas relações ilícitas”.
Ao fim da explanação, Otaviano Canuto mostrou que enxerga três mudanças positivas a médio e longo prazo que refletirão na economia com o atual combate à corrupção: o investimento público melhora quando há mudança na governança; há revigoramento nos mecanismos de concorrência e prêmio de risco muda associado à prevalência da lei.