"Na prática, os homens são atacados pelo que eles fazem, enquanto as mulheres são atacadas pelo que elas são: mulheres”. A reflexão da conselheira Susana Azevedo, do Tribunal de Contas do Estado (TCE/SE), foi parte da sua palestra no encontro “A mulher e a ocupação de espaço em nossa sociedade”, realizado pela Federação dos Municípios do Estado de Sergipe (Fames) nesta sexta-feira, 10, no Teatro Tobias Barreto, em alusão ao mês das mulheres.
A conselheira compôs o painel “Empoderamento Feminino”, juntamente com a senadora Maria do Carmo, a advogada Rose Morais, e a arquiteta Shirley Dantas, com mediação da prefeita do município de Pacatuba, Manuella Martins.

No decorrer da explanação, Susana falou sobre sua trajetória na vida pública, onde, antes de ingressar na Corte de Contas, foi secretária de Estado, vereadora e deputada estadual por cinco legislaturas, espaços historicamente preenchidos por maioria masculina.
"Felizmente temos visto uma ampliação significativa do protagonismo das mulheres nesses e em outros segmentos da sociedade, mas ainda falta muito para chegarmos ao ideal de igualdade em relação aos homens”, afirmou.

A conselheira ilustrou sua fala com passagens sobre o papel da mulher ao longo da história, como nas duas guerras mundiais, quando tiveram que assumir as posições de seus maridos e filhos nas frentes de trabalho.
Falou ainda das diversas violências sofridas pelas mulheres, “que em sua maioria são verbais, perseguições e agressões físicas”.
Outro ponto citado pela palestrante foi sua atuação como coordenadora no Grupo de Trabalho (GT) para a Promoção da Igualdade de Gênero, da Associação dos Membros dos Tribunais de Contas do Brasil (Atricon).
Após a constatação de que há diferenças significativas nos quantitativos de homens e mulheres que ocupam os colegiados e cargos de liderança desses órgãos, a Associação emitiu Nota Recomendatória que acaba de ser absorvida pelo Tribunal de Contas da União (TCU).
"Eles acataram nossas sugestões e editaram Portaria que determina o preenchimento das funções de liderança de forma a obedecer a proporcionalidade de gênero”, pontuou a conselheira.
Por fim, ela deixou mensagens de empoderamento às mulheres presentes no encontro: “As mulheres precisam reconhecer que elas são capazes, para, então, poder começar a fazer mudanças”.

Fotos: Igor Graccho